Chega o dia 30 de setembro de 2026.
A empresa não concluiu a análise.
Os sócios não conversaram.
O financeiro não organizou os dados.
Ninguém formalizou uma opção.
O empresário pode imaginar que nada aconteceu porque nenhuma decisão foi registrada.
Mas aconteceu.
A ausência de manifestação também conduz a empresa a uma alternativa definida.
O que acontece se a empresa não fizer a opção?
A empresa que já está regularmente no Simples Nacional e não optar, em setembro de 2026, pela apuração do IBS e da CBS pelo regime regular continuará recolhendo os dois tributos dentro da guia única entre janeiro e junho de 2027.
Isso não é uma penalidade.
É a regra aplicável quando não existe opção expressa pelo regime regular.
Portanto: não decidir não deixa a empresa sem regime. Apenas faz com que uma das alternativas seja aplicada automaticamente.
Qual é o calendário?
De 1º a 30 de setembro de 2026 — período definido pela Resolução CGSN nº 186/2026
Período para:
- opção pelo Simples Nacional para 2027, quando necessária;
- opção pela apuração regular de IBS e CBS para o primeiro semestre de 2027.
Até o último dia de novembro de 2026
A opção realizada em setembro poderá ser cancelada dentro do prazo regulamentar.
De janeiro a junho de 2027
Vigência da alternativa escolhida em setembro:
- IBS e CBS dentro do DAS; ou
- IBS e CBS pelo regime regular.
Março de 2027
Nova oportunidade de opção para o período de julho a dezembro de 2027.
Julho a dezembro de 2027
Aplicação da decisão referente ao segundo semestre.
A nova regra de setembro não se aplica ao MEI, que continua seguindo o calendário específico do SIMEI.
Por que setembro não deve ser o início da análise?
Porque uma decisão segura exige informações que não são organizadas em poucos dias.
Antes da formalização, será necessário levantar:
- faturamento;
- perfil dos clientes;
- receitas B2B e B2C;
- compras;
- despesas;
- potenciais créditos;
- margens;
- contratos;
- capacidade de repasse;
- sistemas;
- processos;
- estrutura financeira.
Também poderá ser necessário conversar com clientes relevantes para compreender como eles avaliarão os créditos tributários nas contratações.
A janela de setembro serve para formalizar a opção.
Não deveria ser utilizada para começar a descobrir o negócio.
O que deve acontecer antes da escolha
1. Organizar os dados
A empresa precisa disponibilizar informações fiscais, financeiras e comerciais confiáveis.
Sem isso, a simulação será apenas uma aproximação.
2. Comparar os cenários
A análise deve estimar:
- carga tributária;
- créditos;
- custo líquido;
- impacto no preço;
- efeito na margem;
- fluxo de caixa;
- custo operacional.
3. Avaliar a capacidade de operar
Uma alternativa pode parecer melhor matematicamente e ser inviável operacionalmente.
A empresa precisa verificar se possui:
- sistema preparado;
- cadastros confiáveis;
- controles financeiros;
- equipe orientada;
- capacidade de conciliação;
- processo para acompanhar créditos.
4. Envolver os sócios
A decisão não deve ser tomada apenas entre o contador e o responsável fiscal.
Ela afeta:
- preço;
- margem;
- competitividade;
- capital de giro;
- relacionamento com clientes;
- organização da empresa.
Os sócios precisam compreender o cenário e assumir a decisão.
5. Formalizar e documentar
Depois da escolha, é recomendável registrar:
- alternativas analisadas;
- premissas utilizadas;
- dados considerados;
- riscos identificados;
- decisão aprovada;
- responsáveis pela implantação;
- providências necessárias.
Isso permitirá revisar o caminho quando chegar a nova janela semestral.
O maior risco não é escolher uma alternativa diferente da concorrência
O maior risco é escolher sem conhecer os efeitos.
Duas empresas do mesmo setor podem seguir caminhos diferentes e ambas estarem corretas.
O problema surge quando a empresa:
- copia a decisão de outra;
- segue uma recomendação genérica;
- considera apenas a alíquota;
- ignora os créditos;
- desconsidera o caixa;
- não avalia sua estrutura;
- escolhe no último dia sem análise.
Não tomar uma decisão expressa também exige consciência
Permanecer com IBS e CBS dentro do DAS pode ser uma decisão perfeitamente adequada.
Mas precisa ser uma conclusão.
Não apenas consequência da falta de tempo.
Da mesma forma, optar pelo regime regular pode ser estratégico.
Mas não deve acontecer apenas porque parece uma alternativa mais moderna ou porque um cliente solicitou maior crédito.
Em ambos os casos, a empresa precisa compreender:
- o que ganha;
- o que perde;
- o que muda;
- o que precisará controlar;
- como a decisão afeta o negócio.
O papel da Contabilidade
A contabilidade acompanhará as regras, orientará os clientes e apoiará as análises de acordo com a realidade de cada empresa.
Mas a participação do cliente será indispensável.
A contabilidade precisará receber informações confiáveis.
Os responsáveis internos precisarão responder às solicitações.
Os sócios precisarão participar das decisões.
Os sistemas precisarão ser preparados.
A Reforma não poderá ser atravessada apenas por quem calcula o imposto.
Ela exigirá a participação de quem conduz o negócio.
No Simples Nacional, não decidir também produz uma consequência. A diferença é que a empresa pode chegar a ela sem ter analisado se era o melhor caminho.
O que sua empresa precisa fazer antes de setembro
- organizar dados;
- identificar clientes B2B e B2C;
- levantar compras e despesas;
- avaliar créditos;
- revisar margens;
- verificar o ERP;
- envolver os sócios;
- solicitar a análise com antecedência.
Leve este conteúdo para sócios, direção, financeiro, comercial e responsáveis pelo planejamento tributário.
Antes de formalizar a opção converse com o seu contador. A escolha precisa refletir os números, a operação e a estratégia da empresa não apenas a proximidade do prazo.
Última atualização: 10 de agosto de 2026.